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quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Senado conclui votação da reforma da Previdência.

A reforma da Previdência foi definitivamente aprovada no Senado, no começo da tarde desta quarta-feira (23). “Aos 49 minutos do segundo tempo”, como disse o senador Esperidião Amin (PP-SC), foi feita, com aprovação unânime, a última alteração ao texto da Proposta de Emenda à Constituição 6/2019: a retirada do “enquadramento por periculosidade” da proposição, já que a inserção da expressão na Carta Magna poderia impedir os trabalhadores que exercem atividades perigosas de tentar obter a aposentadoria especial na Justiça. A proposta será promulgada em sessão do Congresso Nacional, que deve ocorrer até o dia 19 de novembro e deverá contar com a presença do presidente Jair Bolsonaro, segundo afirmou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, via Twitter.

— Tenho conversando com todos esses líderes, tentado buscar a voz de conciliação, de pacificação, e é por isso que eu acho que a gente tem conseguido avançar muito no Senado Federal, no Parlamento brasileiro. E esta legislatura é reconhecida pelos brasileiros como a legislatura que tomou para si a responsabilidade de fazer as reformas de que o país precisava. Essa matéria foi abraçada pelo Congresso Nacional como uma proposta do Brasil, e não de um governo — disse Davi, durante a votação.

Aposentadoria Especial

O acordo envolveu líderes partidários, do governo, o presidente Davi e o secretário especial da Previdência, Rogério Marinho, para permitir a modificação do texto, a partir de um destaque apresentado pelo Partido dos Trabalhadores e aprovado no Plenário nesta quarta. A redação anterior da PEC 6/2019, ao tratar de aposentadorias decorrentes de atividades que sejam exercidas com exposição a agentes nocivos, químicos, físicos e biológicos ou prejudiciais à saúde, proibiria a concessão do enquadramento por periculosidade. Isso praticamente impediria a concessão de aposentadoria especial para trabalhadores em atividades perigosas como vigilantes, guardas de trânsito, frentistas e eletricistas.

A negociação retirou a expressão e a vinculou à elaboração de um projeto de lei complementar, para regulamentar definitivamente quais atividades devem ser enquadradas como perigosas, o que vai também diminuir a insegurança jurídica e a briga na Justiça por esse direito — que era um dos objetivos do Executivo com a reforma.

— O governo vai preparar esse projeto e deve mandar para o Senado na quarta-feira da próxima semana. Esse projeto vai definir quais são os critérios de concessão para evitar essa judicialização, que hoje chega a quase 70% das concessões de aposentadorias especiais no país — explicou Rogério Marinho, depois do acordo firmado e antes da aprovação do texto em Plenário.

O relator da proposta, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), frisou que o compromisso é de aprovar o projeto complementar rapidamente e que a retirada da expressão não causa nenhum impacto fiscal imediato, nem afeta a economia de R$ 800 bilhões estimada com a aprovação da PEC 6/2019.

— Não tem [impacto fiscal], porque o impacto não seria imediato. O impacto seria a longo prazo. Quero deixar registrado: não tem impacto financeiro nenhum, apenas desconstitucionaliza a questão da periculosidade — disse Tasso.

Um último destaque — apresentado pela Rede e pendente de análise desde a noite anterior, quando ocorreu a aprovação do texto-base e a rejeição de dois outros destaques — foi retirado pelo líder do partido, senador Randolfe Rodrigues (AP), ainda como parte do acordo geral.

Randolfe informou que a proposta deverá ser apresentada pela Liderança do MDB e ter como relator o senador Esperidião Amin, caminhando com urgência no Senado. Segundo a senadora Rose de Freitas (Podemos-ES), a PEC 6/2019 só deverá ser promulgada após a aprovação desse PLP.

— Presidente, esta Casa tem obtido várias conquistas, mas historicamente essa é a maior. Vossa Excelência, como se fosse um jogo, coloca todo mundo para conversar e assume um compromisso, que é histórico, que tem que ser lembrado, de que a promulgação se realizará tão logo o PLP seja votado, com o entendimento e a relatoria do senador Amin, para que garantamos aquilo que sabemos que são as atividades nocivas, flagrantemente nocivas, que não podem ser excluídas do direito da classe trabalhadora — detalhou Rose.

O senador Paulo Paim (PT-RS), que encerrou a sessão e promulgou o resultado da votação do destaque (a aprovação foi por unanimidade, com 79 votos a 0), mencionou que a reforma da Previdência ainda não terminou, já que a PEC Paralela (PEC 133/2019) está na pauta e poderá aperfeiçoar a proposta, e o PLP da periculosidade também precisa ser votado.

— Acredito que possamos construir concertações como a que construímos com esse destaque — disse Paim.

Agradecimentos

A aprovação de uma reforma possível, não necessariamente ideal, o reconhecimento do trabalho bem-feito e exaustivo do relator, Tasso Jereissati, para aprimorar a proposta, e a luta do senador Paulo Paim até o último minuto, para amenizar derrotas aos trabalhadores, foram destacados nas manifestações dos parlamentares durante a votação.

— O senador Tasso Jereissati, com espírito democrático, soube reconhecer os erros, os excessos da reforma apresentada pela Câmara dos Deputados e teve a capacidade de, no seu relatório, tirar as injustiças, como o BPC, o trabalho rural. Como verdadeiro estadista, ao meu lado, conduziu-me na condução dos trabalhos da CCJ. Outro personagem fundamental, porque esta é uma Casa democrática, do diálogo, do equilíbrio e moderação que tanto faltam nas ruas, nas praças, nas Casas do povo brasileiro, foi a figura equilibrada da oposição responsável e consciente do senador Paulo Paim, que vem como o mais legítimo representante do trabalhador brasileiro, que tem o espírito daquele que dá o sangue e o suor para que possamos fazer deste país um país verdadeiramente grande — disse Simone Tebet.

Tasso Jereissati mencionou as dificuldades superadas com a ajuda dos líderes, que “não foram arrogantes e buscaram o consenso”, do presidente Davi Alcolumbre, de Simone Tebet e dos servidores técnicos que trabalharam na elaboração da proposta.

— Na finalização desse grande debate, o ponto mais alto não é na disputa do debate, mas sim no acordo que fizemos neste momento para fechar com chave de ouro a reforma — disse.

O senador Weverton (PDT-MA), apesar de comemorar a mudança em prol dos trabalhadores em atividades perigosas, criticou a aprovação da reforma, que segundo ele vai deixar os idosos mais pobres, dificultar a aposentadoria das mulheres e decretar “o fim da aposentadoria justa para as próximas gerações”.

— Que esta Casa que fala em altivez tenha a coragem de enfrentar bancos, petroleiras e sistemas que sempre enfraquecem os mais fracos — disse.

Já o senador Confúcio Moura (MDB-RO) lembrou que somente a aprovação da reforma da Previdência não será suficiente para tirar o Brasil da crise.

— Precisamos iniciar, a partir de hoje, o debate de novos temas importantes e que venham a ajudar e contribuir para o Brasil crescer. Que depois desse ajuste, desse arrocho, a gente possa oferecer aos cidadãos serviços melhores — avaliou.


Fonte: Agência Senado



Supremo decide sobre prisão após condenação em segunda instância.

Felipe Amorim e Bernardo Barbosa
Do UOL, em Brasília e em São Paulo
23/10/2019 15h23Atualizada em 23/10/2019 16h23
O STF (Supremo Tribunal Federal) retomou hoje o julgamento sobre a constitucionalidade da prisão após condenação em segunda instância. Três ministros já votaram, e o julgamento está em 2 a 1. Votou a favor do encarceramento nessa fase do processo Alexandre de Moraes e Edson Fachin. Já Marco Aurélio Mello foi contrário.
O entendimento contrário a prisão pode beneficiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso desde abril do ano passado após ter a condenação na Operação Lava Jato confirmada pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região).

Sal e luz nesta geração.

por Lenise Freitas (Rio de Janeiro-RJ)
*Graduada da Escola de Ministros Rhema e líder do Ministério Graça e Verdade
“E Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas” (Marcos 6.34).
Tenho pedido a Deus continuamente o espírito de sabedoria e revelação.
A última das  carta às igrejas em Apocalipse, a carta à Laodiceia traz o conselho de ungir os olhos com um colírio para que a visão possa ser restaurada.
Esta também tem sido minha oração “um novo olhar”. Não por coincidência o título do meu último livro foi justamente “Um novo olhar sobre a formação da sexualidade”.
Davi serviu ao Senhor segundo o propósito de Deus para sua geração. Quando fui a primeira vez a Israel tinha a expectativa de ver muitas referências à Moisés, mas foi Davi que vi ser mais celebrado a ponto de, além da “Cidade de Davi”, o seu túmulo ter uma longa fila de pessoas para vê-lo coberto com uma bandeira, como se estivesse ainda sendo velado.
A Rainha Ester, foi muito mais que uma “rainha da Inglaterra” quando entendeu seu propósito, que tinha sido levantada para “um tempo como esse”.
Creio também que se nascemos neste tempo, nesta geração, temos um propósito específico  e todo propósito é acompanhado de uma Graça.
Somos chamados para ser sal e luz desta terra. Eu não quero passar por esta vida sem dar sabor, sem iluminar. Não quero passar por esta vida vendendo areia no deserto, ainda que muitos possam comprar. Quero trazer a memória aquilo que dá esperança.
John Stott escreveu: Não deveríamos perguntar: “O que há de errado com o mundo?”, porque o diagnóstico já foi dado. Devíamos perguntar: “O que aconteceu com o sal e a luz?”.
Deve existir dentro de nós o mesmo sentimento em Cristo Jesus. Quando Jesus olhava para as multidões Ele se compadecia. Jesus conseguia perceber as necessidades. Muitas vezes nada pode fazer por causa da incredulidade do povo, mas Ele chamava para si uma responsabilidade: a de ser o pastor e ensinar aqueles que estavam como ovelhas perdidas.
Recentemente, assisti o Musical Rua Azuza, da Cia Jeová Nissi. O musical conta a história de William Seymor e do avivamento da Rua Azuza por um novo olhar, destacando o cenário de segregação que perdurava pós abolição dos escravos. Abolição que custou a própria vida do Presidente Abraham Lincoln, considerado por muitos o presidente mais relevante da história dos Estados Unidos.
William Seymor se destaca, neste cenário, como alguém que enxergava verdades do Evangelho, que tinha revelação e cria em coisas que pouquíssimas pessoas ainda acreditavam, como o batismo do Espírito Santo e a unidade da igreja sem acepção de brancos ou negros.
Quando nadando contra corrente, Seymor reúne no mesmo lugar brancos e negros para juntos buscarem a presença de Deus, e este fato era tão inusitado a ponto de virar manchete de jornais “Brancos e Negros orando juntos no mesmo lugar”, o avivamento veio e abalou o mundo todo.
Hoje nos perguntamos como aquela geração podia achar normal que brancos estivessem sentados nas igrejas ouvindo a Palavra e negros tivessem que ouvir somente do lado de fora da porta ou da janela !? Como poderiam ler a Bíblia e não perceber o princípio  do Batismo do Espírito Santo?
Mas olhando para o futuro, o que as próximas gerações poderão dizer de nós? O que podemos não estar enxergando no Evangelho? Que revelação nos falta? Porque um avivamento incontestável como o da Rua Azuza não aconteceu ainda em nossa geração?
Será que estamos sendo impedimento? Será que estamos travando a porta? Não deixando o outro entrar?
Não quero ser como os religiosos que crucificaram Jesus e levaram à multidão a odiá-lo com mentiras. Mas como aquelas mulheres que viram a Jesus primeiro, e anunciaram aos outros sua ressurreição.
Abra os olhos do meu coração Senhor! Me mostre sua vontade para mim! Dá-me unção dobrada do seu espirito. Unção que amava as pessoas e que somente um olhar já transformava a vida. Que olhar era esse tão cheio de compaixão, que expunha pecados sem constranger se não ao arrependimento?
Me ajude a cumprir o seu propósito para mim nesta geração.
Fonte: http://verbodavida.org.br

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Mobilização nacional visa aumentar número de pessoas vacinadas contra sarampo.

Os postos de vacinação do Brasil abriram no sábado (19) para o “Dia D” de mobilização nacional contra o sarampo. A iniciativa — uma parceria do Ministério da Saúde com as secretarias estaduais e municipais de saúde — busca reforçar a importância da vacinação, principalmente nos grupos prioritários.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) participou da mobilização durante uma atividade realizada no Centro de Saúde I ‘Dr. Victor Araújo Homem de Mello’, no bairro de Pinheiros, em São Paulo (SP).
De acordo com o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, o país registrou, nos últimos 90 dias, 6.192 casos confirmados de sarampo, aumento de 15% em relação ao período de monitoramento anterior. Vinte estados estão na lista de transmissão ativa da doença e 96% dos casos confirmados estão concentrados no estado de São Paulo, em 192 municípios.

De acordo com o último boletim epidemiológico de sarampo do Ministério da Saúde do Brasil, o país registrou, nos últimos 90 dias, 6.192 casos confirmados de sarampo, o que corresponde a aumento de 15% em relação ao período de monitoramento anterior. Foto: EBC
De acordo com o último boletim epidemiológico de sarampo do Ministério da Saúde do Brasil, o país registrou, nos últimos 90 dias, 6.192 casos confirmados de sarampo, o que corresponde a aumento de 15% em relação ao período de monitoramento anterior. Foto: EBC
Os postos de vacinação do Brasil abriram no sábado (19) para o “Dia D” de mobilização nacional contra o sarampo. A iniciativa — uma parceria do Ministério da Saúde com as secretarias estaduais e municipais de saúde — busca reforçar a importância da vacinação, principalmente nos grupos prioritários.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) participou da mobilização durante uma atividade realizada no Centro de Saúde I ‘Dr. Victor Araújo Homem de Mello’, no bairro de Pinheiros, em São Paulo (SP).
De acordo com o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, o país registrou, nos últimos 90 dias, 6.192 casos confirmados de sarampo, aumento de 15% em relação ao período de monitoramento anterior. Vinte estados estão na lista de transmissão ativa da doença e 96% dos casos confirmados estão concentrados no estado de São Paulo, em 192 municípios.
“Hoje estamos aqui em São Paulo, porque é o nosso estado mais populoso e onde está concentrada hoje a grande luta contra o sarampo, mas alertamos que isso é um problema nacional. Em todos os estados da federação, em maior ou menor grau, deve-se aumentar a vacinação”, afirmou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.
María Almíron, coordenadora de Doenças Transmissíveis e Análise de Situação de Saúde do escritório da OPAS e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, lembra que os surtos de sarampo têm afetado diversas partes do mundo. “Isso porque o vírus causador dessa doença se espalha muito facilmente. Na Europa, foram registrados 90 mil casos nos primeiros seis meses deste ano. Aqui nas Américas a doença foi notificada por 14 países, com a maior proporção nos Estados Unidos, na Venezuela e no Brasil”.
Lely Guzman, especialista em Imunização da OPAS e da OMS, destaca que o aumento da cobertura vacinal não é um papel apenas dos governos. “A população precisa buscar os serviços de saúde e verificar que está com o seu calendário de vacinação em dia. Só assim poderemos garantir que nós e nossas famílias vamos estar protegidas”.

Campanha

Lançada no início deste mês, a Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo prioriza dois grupos. O primeiro vai de 7 a 25 de outubro e imuniza crianças de 6 meses a menores de 5 anos, com o “Dia D” de vacinação em 19 de outubro. Já o segundo grupo, previsto para iniciar em 18 de novembro, será direcionado a adultos entre 20 e 29 anos que ainda não atualizaram a caderneta de vacinação, com “Dia D” em 30 de novembro. A meta é vacinar 2,6 milhões de crianças na faixa prioritária e 13,6 milhões de adultos.

Investigação de casos

A OPAS está auxiliando o Brasil na compra de vacinas e, junto com o Ministério da Saúde, está apoiando o estado de São Paulo no fortalecimento de seu sistema de vigilância epidemiológica e laboratorial.
O organismo internacional também enviou em agosto para a Secretaria Estadual de Saúde 12 mil exemplares de uma ferramenta em forma de disco elaborada para facilitar a investigação de casos suspeitos de sarampo, rubéola e síndrome de rubéola congênita. Os materiais foram entregues às Unidades Básicas de Saúde para serem utilizados por médicas(os) e enfermeiras(os).
Essa ferramenta criada pela OPAS é composta por um disco externo na cor branca, onde constam os dias e meses do ano. No círculo central do disco interno, a metade vermelha representa o lado referente à investigação do sarampo. No círculo central do disco interno, a metade rosa escuro representa o lado referente à investigação da rubéola.
O disco lilás indica o período provável de exposição ao vírus; o verde escuro corresponde ao período de transmissibilidade; o verde claro, ao período provável de aparição de casos secundários; o azul claro, ao período de seguimento dos contatos; o vermelho, ao período para coleta de amostra sorológica; o laranja, ao período para a coleta de amostra para detecção viral; e o amarelo ao período de possível evento adverso pós-vacinação (exantema).
Todos os períodos apresentados no material estão diretamente relacionados a data do início do exantema (erupção cutânea vermelha, causada por infecção) para o sarampo ou rubéola. Na outra face do disco, estão as orientações para investigação da síndrome da rubéola congênita.
O instrumento foi testado e validado, em 2015, em conjunto com equipes do Ministério da Saúde do Brasil e das Secretaria Estaduais de Saúde do Distrito Federal, da Bahia e de Santa Catarina. Na época, o material orientador foi entregue para todos os municípios e Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).
Fonte: https://nacoesunidas.org

domingo, 13 de outubro de 2019

Participantes do Sínodo discutem a importância da inculturação na realidade dos povos indígenas.

De acordo com o dicionário, inculturação é a influência recíproca entre o cristianismo e as culturas dos lugares onde a fé cristã é praticada. É também parte integrante do esforço missionário da Igreja, como indica o Catecismo da Igreja Católica. Para os bispos sinodais, é um caminho longo, que precisa de atenção e de ser muito discutido, por ser de extrema importância e necessidade em contextos de culturas tão diferentes, como a indígena.

Com esse discurso, participantes do Sínodo deram depoimentos hoje, dia 10 de outubro, sobre suas experiências no processo de inculturação em tribos da Amazônia. Um deles foi o bispo da Prelazia de Itaituba, no Pará, dom Wilmar Santin. Responsável por uma área de 175 mil quilômetros quadrados, quase o tamanho do estado do Paraná, dom Wilmar se orgulha em dizer que a maioria dos índios de sua região é católica.

O processo de evangelização dos indígenas em Itaituba começou em 1910, com a chegada de padres franciscanos no meio da floresta. No ano seguinte, vieram as irmãs da Imaculada Conceição. De lá para cá, foram muitos os desafios para a inculturação. Dom Wilmar explica que esse processo não significa absorver completamente a cultura indígena, e sim encontrar suas manifestações que são compatíveis com a fé católica, além de, ao mesmo tempo, fazer com que os índios tenham o rosto da Igreja.

“Nas nossas tribos, existe um rito de agradecimento quando há uma colheita em abundância. Eles fazem uma festa e compartilham a colheita com outras comunidades. Hoje também entregam essa abundância no altar e cantam em agradecimento. Esse é um exemplo de sintonia entre a cultura e a religião. Já outros costumes, incompatíveis com a fé, são combatidos. Havia antigamente a tradição de matar crianças deficientes logo após o parto. Hoje nas nossas tribos isso mudou, nós temos crianças deficientes”, explicou dom Wilmar.

Agora, o desafio do bispo de Itaituba é realizar um sonho do Papa Francisco: ver em cada aldeia um sacerdote indígena. Dom Wilmar afirma que já está dando os primeiros passos para concretizá-lo. Em 2017, teve início nas tribos a formação para ministros da palavra. Na primeira turma, 20 homens e quatro mulheres se tornaram ministros e começaram a participar das celebrações na própria língua, além de fazerem pregações da palavra de Deus. Este ano, mais 24 ministros foram formados. “Vendo essa nova realidade, lembro-me da passagem bíblica do Dia de Pentecostes, pois os índios estão ouvindo na sua própria língua as maravilhas de Deus”, alegra-se dom Wilmar.

Os próximos passos do bispo são formar ministros do batismo, depois ministros do matrimônio e assim, pouco a pouco, chegar à ordenação de diáconos. “Os índios fazem questão de batizar as crianças na primeira visita de um padre depois do parto. Também fazem questão do casamento na Igreja. Alguns nem se casam no civil, mas na Igreja sim. Pela carência de padres, é importante formá-los para ministrar esses sacramentos”, explica dom Wilmar.

Fonte: http://www.cnbb.org.br

sábado, 12 de outubro de 2019

Costureira síria cultiva clientela fiel em campo de refugiados no Iraque.



A síria Amina trabalha em uma oficina no meio de um grande campo de refugiados na região do Curdistão do Iraque. Ela usa pedaços de tecidos coloridos, que são pendurados nas paredes e prateleiras empilhadas, para fazer roupas sob medida para seus clientes.
Os negócios podem estar crescendo agora, mas quando Amina começou a trabalhar como costureira, era uma questão de sobrevivência. A mulher de 39 anos morava com o marido e seus sete filhos na capital síria, Damasco, quando sua vida foi virada de cabeça para baixo a partir do início do conflito, em 2011. Leia o relato da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
Amina trabalha em sua máquina de costura no campo de refugiados de Domiz, no Iraque. Foto: ACNUR/Rasheed Hussein Rasheed
Amina trabalha em sua máquina de costura no campo de refugiados de Domiz, no Iraque. Foto: ACNUR/Rasheed Hussein Rasheed
A síria Amina trabalha em uma oficina no meio de um grande campo de refugiados na região do Curdistão do Iraque. Ela usa pedaços de tecidos coloridos, que são pendurados nas paredes e prateleiras empilhadas, para fazer roupas sob medida para seus clientes.
Os negócios podem estar crescendo agora, mas quando Amina começou a trabalhar como costureira, era uma questão de sobrevivência. A mulher de 39 anos morava com o marido e seus sete filhos na capital síria, Damasco, quando sua vida foi virada de cabeça para baixo a partir do início do conflito, em 2011.
“Estávamos vivendo uma vida confortável e tudo era acessível”, lembrou. “Quando a guerra começou, bombardeios aleatórios começaram, havia medo e falta de segurança. O local de trabalho do meu marido foi bombardeado e ele morreu em Damasco.”
Viúva e sem meios de sustentar os filhos, Amina inicialmente se mudou com a família de seu marido para Qamishly, no nordeste da Síria, antes que a crescente insegurança a fizesse decidir se juntar a mãe e irmãos no Iraque.
Instalando-se na cidade de Duhok, na região do Curdistão, e com uma grande necessidade de obter uma renda, Amina recorreu a uma habilidade que adquiriu quando jovem.
Apesar de ter estudado ciências na escola, ela sempre teve uma paixão pela costura. “Depois que terminei o ensino médio, meu falecido pai me mandou para a casa de uma de nossas parentes, que era uma costureira muito boa. Ela me ensinou tudo o que há para saber sobre costura”, disse.
Trabalhar usando uma máquina de costura básica era tudo o que ela podia fazer inicialmente em Duhok. Amina gradualmente começou a se estabelecer, atendendo clientes entre os habitantes da cidade e os refugiados sírios.
Mas, apesar de o trabalho garantir uma renda, o custo de tentar criar seus filhos na cidade se mostrou muito alto. Amina tomou a decisão de se mudar com eles para o campo de refugiados de Domiz, a cerca de 10 quilômetros de Duhok, onde poderiam garantir abrigo gratuito e serviços como assistência médica e educação.
Atualmente, existem mais de 228 mil refugiados sírios vivendo no Iraque, quase inteiramente na região do Curdistão. Cerca de 40% deles vivem em campos como Domiz, que tem mais de 32 mil habitantes, e o restante em cidades, vilas e áreas rurais da região.
Com ajuda financeira de sua mãe e irmãos, Amina conseguiu arcar com o custo de alugar uma oficina modesta para seus negócios no campo. Além de encontrar novos clientes, os antigos também a seguiram, às vezes fazendo grandes esforços para contratar seus serviços.
“Tenho clientes fiéis de Dohuk. Eles ainda vêm à minha loja”, disse ela. “As roupas de que gostam são diferentes — elas adoram os vestidos tradicionais curdos. Os preços também são diferentes do acampamento.”
“Alguns clientes deixaram o país e foram para a Europa”, acrescentou. “Eles me ligam pela internet. Me enviam desenhos e eu faço as roupas. Quando vêm durante o verão para visitas, dou-lhes o trabalho terminado ou envio por meio de amigos.”
Agora em uma posição na qual pode fornecer o essencial aos filhos, Amina tenta fazer o que pode para ajudar outras pessoas no acampamento. Ela frequentemente cobra menos ou quase nada para fabricar ou consertar roupas para famílias que estão enfrentando dificuldades financeiras.
Sua contribuição mais significativa, no entanto, é ensinar suas habilidades a outros refugiados, proporcionando-lhes uma renda própria.
“Aqui no campo, temos muitas mulheres que precisam de emprego ou treinamento”, explicou. “Recebo pessoas e permito que elas treinem comigo de graça. Até agora, treinei 12 jovens e dois que começaram seus próprios negócios.”
Ela também oferece cursos em grupo em um centro comunitário no campo administrado pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Uma das estagiárias, Shahinaz, explicou como as aulas a inspiraram a tentar ganhar a vida como costureira.
“Ela nos ensinou a fazer roupas de criança, vestidos tradicionais curdos e vestidos longos”, disse Shahinaz. “Depois de treinar com Amina, me sinto confiante e vou abrir minha própria loja e trabalhar por conta própria.”
Promover o empreendedorismo e o acesso ao trabalho seguro e decente são essenciais para que os refugiados alcancem a autonomia. Isso lhes permite viver vidas mais dignas, reduzir sua dependência de ajuda e dar uma contribuição econômica positiva para as comunidades que os acolhem.
Essas questões estarão entre os assuntos discutidos no Fórum Global para Refugiados, que será realizado em dezembro, quando os participantes debaterão iniciativas e outras maneiras de compartilhar e fortalecer a resposta internacional à situação dos refugiados.
O Fórum é um elemento-chave na implementação do Pacto Global sobre Refugiados, que foi acordado pela Assembleia Geral da ONU em dezembro de 2018. O evento reunirá governos, organizações internacionais, autoridades locais, setor privado, membros da comunidade anfitriã e os próprios refugiados.
Enquanto Amina é grata pelo trabalho que a sustenta e permite que ela contribua com aqueles que a cercam, ela ainda sonha com um futuro melhor para sua própria família e outros refugiados sírios.
“Quero desenvolver meu trabalho e minha vida. Quero compensar meus filhos pelos tempos difíceis que passaram”, disse ela. “Mesmo morando aqui em segurança, ainda somos refugiados. Espero que todos os refugiados possam voltar para casa, mesmo aqueles que moram no exterior e vivem bem. É bom voltar para casa.”
Fonte: https://nacoesunidas.org