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terça-feira, 14 de junho de 2011

Igreja Anglicana x Parada Gay.

Ministério Igreja Sem Fronteiras
Departamento de Unidade Cristã

     Em complemento à postagem anterior, sobre o envolvimento da Igreja Anglicana na Parada Gay, em São Paulo, dispomos o texto abaixo, para sua reflexão, pois o fato está ocorrendo em outras denominações, bem como estão sendo criadas novas igrejas com essa linha de pensamento e doutrina.
     Boa leitura!

"Carta aberta sobre o Anglicanismo

Autor: Marcelo Lemos

Inicio este pequeno artigo avisando que não sou um especialista em anglicanismo, apesar de nutrir um carinho muito especial por esta denominação cristã histórica, e de manter relações espirituais muito boas com alguns irmãos que aderem aos 39 Artigos da Religião, ao LOC e aos Ordinais de 1662.

Além disso, enfatizo que não me sentiria desconfortável, de modo algum, em me tornar pessoalmente membro da Comunhão Anglicana; apesar de todos os modernos desafios que esta Igreja, membro do Corpo Universal de Cristo, tem enfrentado em diversos lugares do mundo, inclusive no Brasil.
Talvez isso surpreenda a alguns. Certamente, tal surpresa se dará por se lembrarem de que anglicanos decidiram ordenar mulheres e homossexuais praticantes ao Epíscopado. Se minha declaração acima surpreender algumas pessoas, será por estranharem que um pensador evangélico e reformado, como eu, possa afirmar simpatia por aqueles que se tornaram “liberais e apóstadas”.
Tal avaliação, generalizadora, é condizente com a verdade?
Uma dificuldade mais recente veio de uma decisão tomada pelo Vaticano. A Igreja Católica Romana declarou disposição em aceitar anglicanos como membros em comunhão real e visivel com a Sé Romana; ainda que estes possam continuar servindo ao Senhor em sua identidade religiosa anglicana. Esta decisão, que surpreendeu até o Bispo de Cantuária, líder espiritual do Anglicanismo, tem levado muitos outros cristãos evangélicos e reformados, “caírem de pau” nas costas dos anglicanos! O convite da Sé Romana, parece ter se tornado para eles, a prova final de que o anglicanismo foi, de vez, para o saco da apostasia!
Antes de prosseguir, gostaria de citar um interessante texto dos Evangelhos, que encontramos em João 1.46.
Felipe achou a Natanael, e disse-lhe: Acabamos de encontrar aquele de quem escreveram Moisés na Lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José!
Perguntou-lhe Natanal: Pode haver coisa boa vinda de Nazaré? Disse-lhe Felipe: Vem e vê! – João 1.44,45.
Pode vir alguma coisa boa do anglicanismo? Te convido a deixar os preconceitos de lado, e vir pessoalmente conhecer alguns fatos que tantas pessoas estão ignorando, pretensamente em amor a defesa da fé “que uma vez foi entregue aos santos” (Judas 1.3). Não que sejam pessoas com más intenções, antes, creio se tratar de pouca informação a respeito daquilo que está sendo criticado.
Vem e Vê… Você está disposto?
Sobre o Convite do Vaticano
O Bispo Josep, da IAR no Brasil, é muito feliz é muito feliz em observar que: “Menos que meio milhão de anglicanos irão se unir a Roma. Meio milhão entre 100 milhões de anglicanos em todo o mundo! Não deve ser dificil ver que o número não é tão expressivo… Trata-se de algo em torno de 0,5%…” [Em debate no Orkut]
Você que é assembleiano, batista, presbiteriano… discorda de reformados que desejam se unir a Roma? Que bom! Mas, você sabia que 99,5% dos anglicanos também discordam de tal atitude? Devemos nos lembra disso na próxima vez que o Jornal Nacional disser: “Anglicanos querem, desejam, esperam…”!
Pense nisso, antes de comentar tais assuntos!
Os jornais que noticiaram tal fato procuraram todos os anglicanos para conher a opinião de cada um? Não creio… Por isso, vejamos alguns interessantes exemplos, que [nem todos] os jornais não estão publicando.
“Segundo o líder da Igreja Anglicana do Quénia, Arcebispo Eliud Wabukala, a oferta da Santa Sé não terá seguidores na sua congregação.
Em declarações à BBC, o Arcebiso Wabukala, indicou que não será fácil aos Anglicanos Africanos entrarem em comunhão total com os Católicos, visto que os protestantes “vêem a fé de forma diferente” indicando o exemplo prático da Eucaristia, da Última Ceia, o Evangelho da Graça e a forma como é visto o próprio facto de ser um ministro de Deus. A Igreja Anglicana do Quénia congrega cerca de 1.5 milhões dos 30 milhões de habitantes do país.
Já no Uganda onde a Igreja Anglicana acolhe cerca de 40% da população, o Arcebispo Henry Luke Orombi mostrou as suas dúvidas sobre a possibilidade de uma ligação. Segundo Arcebispo Orombi como a sua igreja tem mantido uma postura mais conservadora que as igrejas nos EUA a oferta do Vaticano não faz sentido” – fonte: site da Igreja Anglicana Reformada.
Anglicanismo e Liberalismo Moral e Teológico
Anglicanos ordenam mulheres!… Anglicanos apoiam homossexualismo!… Anglicanos aceitam a ordenação de homossexuais!… Anglicanos abraçam a teologia liberal!….
Algo que ninguém parece questionar é: quais anglicanos? Onde?
Portanto, vejamos mais algumas notíciais maravilhosas sobre estes aspectos. Todas elas, novamente, extraídas do site oficial da IAR.
A Igreja Anglicana na América do Norte, uma ‘comunhão’ de Igrejas anglicanas, que protestam contra os desvios liberais dentro de alguns ramos importantes da denominação: Em apenas três meses, a Igreja Anglicana na América do Norte tem 39 novas congregações. Quando a Igreja Anglicana na América do Norte começou sua caminhada no final de junho, contava com 703 igrejas nos Estados Unidos e Canadá. Hoje,tem 742 congregações.
“Temos um objetivo ambicioso de plantar 1.000 novas igrejas nos próximos cinco anos. É muito animador ver quanto progresso já foi feito”, disse o arcebispo Robert Duncan.
Formada em junho de 2009, a Igreja Anglicana na América do Norte reúne 742 congregações anglicanas em uma única Província Anglicana. A missão da igreja é levar a América do Norte o amor transformador de Jesus Cristo.
A Igreja Anglicana Reformada comparte o mesmo etos anglicano, visão eclesiástica e missão crista que os nossos irmãos da Igreja Anglicana na América do Norte.
Distrito Anglicano da Virgínia (DAV): Clero e delegados leigos representando o Distrito Anglicano da Virgínia (DAV) estiverem reunidos no passado fim de semana para analisar o futuro do Anglicanismo nos Estados Unidos.
O Distrito Anglicano da Virgínia estive reunido no seu Sínodo anual. O tema era “Viver como Anglicanos: Impactando o Presente – Preparando o Futuro“.
Desde a sua formação mais de dois anos atrás, o Distrito Anglicano da Virgínia tem crescido ate alcançar as 31 congregações que são hoje. Muita delas deixaram a Igreja Episcopal dos E.U.A. por causa das inclinações liberais dessa denominação.
Bispo David Bena diz que o crescimento do DAV mostra que há muitos Anglicanos que desejam seguir a Palavra de Deus, em vez de seguir a evolução das tendências culturais.
“Temos cerca de 9.000 pessoas nas igrejas nos domingos, [mas] o que está sendo dito é provavelmente mais importante do que números“, ele falou. “Eu vejo um verdadeiro avivamento do Cristianismo em curso em todo o continente, e ele está tendo um efeito na esfera Anglicana também.”
Bispo Bena falou que evangelismo será enfatizado durante o sínodo. “Nós herdamos uma ótima maneira de compartilhar o evangelho em palavra e ação…”, diz ele. “Nossa comissão de Deus é trazer as pessoas para um relacionamento dinâmico com Jesus Cristo, e então discípula-los para que eles possam fazer novos discípulos.”
O Distrito Anglicana da Virgínia é parte da Convocação dos Anglicanos de Norte América (CANA) e da Igreja Anglicana em Norte America (ACNA).
Concluindo…
Não sou advogado do Anglicanimo, e sei que o erro deve ser combatido em todas as suas esferas e instâncias, independentemente das nossas preferencias possoais por pessoas ou instituições. Todavia, não é certo colocarmos todos os nossos irmãos anglicanos dentro do mesmo barco, para depois afundá-los na lama da apostasia, junto com os liberais. Liberais que, admitamos, estão infectando não só o anglicanismo, mas também todas as demais organizações cristãs: desde a Católica Romana, até as Assembléias de Deus!"

Fonte: http://igrejaanglicana.com.br/archives/carta-aberta-sobre-o-anglicanismo/

Parada Gay.




Ramo alegre da igreja Anglicana terá trio elétrico na parada gay

A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo deste ano terá um trio elétrico da Igreja Anglicana do Brasil. É a primeira vez que uma igreja participa oficialmente do evento, que ocorrerá no próximo dia 26, um domingo.
A expectativa dos organizadores da 15ª versão da parada é de que 3,1 milhões de pessoas percorram a avenida Paulista, no maior evento do mundo desse tipo.
O tema deste ano faz referência a uma citação bíblica: “Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia! – 10 anos da Lei 10.948/01”. Trata-se de uma lei paulista que pune a discriminação a homossexuais.
Ester Lisboa, que cuida da participação da igreja na parada, disse que o nome do trio elétrico provavelmente será “O amor lança fora todo o medo”. Afirmou que o veículo será acompanhado por cerca de 200 pessoas, entre as quais, além de anglicanos, protestantes, anglicanos, metodistas e luteranos. Ideraldo Beltrame, presidente da Parada, é anglicano, sociólogo e Doutor em Saúde Pública. Ministro Leigo da Paróquia da Santíssima Trindade – São Paulo/SP. Membro de INERELA - um movimento global de líderes religiosos vivendo e convivendo com HIV/Aids.


Congresso Nacional - Ao vivo.

Ministério Igreja Sem Fronteiras
Departamento de Unidade Cristã
Grupo de Acompanhamento de Atividades Parlamentares

Caros Irmãos,

São 11:30h da manhã, do dia 14 de junho de 2011, e está sendo realizada na Câmara dos Deputados, neste exato momento, uma sessão solene em homenagem ao centenário da Igreja Evangélica Assembléia de Deus no Brasil, com a preleção de diversos parlamentares, inclusve com citações bíblicas.

Algo está acontecendo em nossa nação.
A Palavra está chegando ao centro do poder.

Assista neste link: http://www.camara.gov.br/internet/tvcamara/?lnk=ASSISTA-A-TV-CAMARA-PELA-INTERNET&selecao=VIVO

Fiquem na paz.

Tramitação do PLC 122/2006.

Ministério Igreja Sem Fronteiras
Departamento de Unidade Cristã
Grupo de Acompanhamento de Atividades Parlamentares

Segue abaixo a última tramitação do PLC 122/2006:


SENADO FEDERAL
Secretaria-Geral da Mesa
Acompanhamento de Matérias


As seguintes matérias de seu interesse sofreram ações em: 13/06/2011


SF PLC 00122 2006


Ementa: Altera a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, dá nova redação ao § 3º do art. 140...
13/06/2011 CDH - Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa
Situação: AUDIÊNCIA PÚBLICA


Recebido nesta data, proveniente da Secretaria Geral da Mesa, manifesto do Sr. Jorge Vidal, de São João de Merití - RJ, contrário ao PLC nº 122, de 2006, pela sua inconstitucionalidade. Anexei as folhas 38 a 48. A matéria continua sobrestada, aguardando a realização de Audiência Pública (Requerimento nº 69-CDH, DE 2011).

Fonte: http://www.senado.gov.br/

Leitura Anual da Bíblia - Período de 14 a 20 de junho de 2011.

Ministério Igreja Sem Fronteiras

Departamento de Unidade Cristã


          Corpo de Cristo,

          Além da leitura do Novo Testamento, disponibilizamos também um roteiro para a leitura anual de toda a Bíblia.
          É uma maravilha, pois também consideramos importante a leitura do Antigo Testamento para a compreensão da Palavra do Senhor como um todo.
          Muitos acham que o Antigo Testamento deve ser descartado, mas cremos que nele encontramos muitos ensinamentos válidos para os dias de hoje, com o devido entendimento e sabedoria. Muitas doutrinas pecam em viver nos dias de hoje aquilo que era válido para aqueles que viviam naquele tempo, sendo tais jugos quebrados pela vinda, morte e ressurreição do nosso Senhor Jesus.
          Não perca sua motivação nessa leitura!
          A parcela lida a cada dia parece ser pequena em relação a todo o conteúdo bíblico, mas com o tempo você perceberá a sua evolução e verá que a leitura de toda a Bíblia não é uma tarefa impossível.
            Se você ainda não começou a sua leitura, escolha um dia do roteiro abaixo – melhor que seja o dia de hoje, em que você acessou o nosso blog – e siga em frente. No próximo ano, você completará o plano de leitura. Combinado, então?
          Aconselhamos a orar antes de ler a Palavra, e manter-se em oração durante todo o ano, pois assim o Espírito Santo irá lhe revelar mistérios ocultos nas letras.
                   
          Mês de junho de 2011:

Dia 14 -
Marcos 1.21-45
; 2 Samuel 3
; Daniel 2.1-23
Dia 15 -
Marcos 2
; 2 Samuel 4 e 5
; Daniel 2.24-49
Dia 16 -
Marcos 3.1-19
; 2 Samuel 6
; Daniel 3
Dia 17 -
Marcos 3.20-35
; 2 Samuel 7 e 8
; Daniel 4
Dia 18 -
Marcos 4.1-20
; 2 Samuel 9 e 10
; Daniel 5
Dia 19 -
Marcos 4.21-41
; 2 Samuel 11 e 12
; Daniel 6
Dia 20 -
Marcos 5.1-20
; 2 Samuel 13
; Daniel 7


       Segue abaixo a Estatística da nossa leitura:

Estatística

Período de leitura: de 01jan a 31dez de 2011.
Com as leituras acima, ficaremos assim:
Quantidade de dias: 365
Dias cumpridos: 171
Dias a cumprir: 194

Quantidade de versículos: 31.103
Versículos lidos: 16.155
Versículos a serem lidos: 14.948

Média de 94 versículos ao dia
Porcentagem lida da Bíblia: 52%

Fiquem na paz do nosso Senhor Jesus.

Leitura do Novo Testamento - Período de 14 a 20 de junho de 2011.

Ministério Igreja Sem Fronteiras

Departamento de Unidade Cristã


Corpo de Cristo,

          Continuando a leitura do Novo Testamento, terminamos a leitura dos evangelhos, procurando manter a ordem cronológica dos acontecimentos, desde a anunciação da vinda do nosso Senhor Jesus até a Sua crucificação e ascensão aos Céus.
Para isso, iniciamos a leitura no dia 19 de dezembro de 2010, próximo ao Natal, e, pela nossa programação, terminamos no dia 6 de junho de 2011.
Agora, entramos numa segunda fase, iniciando com o livro de Atos dos Apóstolos, seguindo com as Epístolas, até chegar em dezembro de 2011 no livro das Revelações, o Apocalipse.
Com a leitura dos Evangelhos, seguimos os passos do Senhor Jesus aqui na Terra, ensinando e curando; passamos pela sua crucificação, morte, ressurreição e ascensão aos céus. Sigamos, então, agora, os passos dos seus discípulos para propagação dos ensinos do Filho de Deus.
Não perca sua motivação!
Se você ainda não começou a sua leitura, escolha um dia do roteiro abaixo – melhor que seja o dia de hoje, em que você acessou o nosso blog – e siga em frente. No próximo ano, você completará o plano de leitura. Combinado, então?
          
          Mês de junho de 2011:
     
         Tema: Livro de Atos dos Apóstolos

Dia 14 -
Atos 4.24-37
Dia 15 -
Atos 5.1-16
Dia 16 -
Atos 5.17-42
Dia 17 -
Atos 6
Dia 18 -
Atos 7.1-15
Dia 19 -
Atos 7.16-30
Dia 20 -
Atos 7.31-45


Segue abaixo a Estatística da nossa leitura:

Estatística

Período de leitura (de Atos dos Apóstolos até Apcalipse): de 07jun a 31dez2011.
Com as leituras acima, ficaremos assim:
Quantidade de dias: 239
Dias cumpridos: 14
Dias a cumprir: 225
Quantidade de versículos: 4.178
Versículos lidos: 238
Versículos a serem lidos: 3.940
Média de 17 versículos ao dia.

Fiquem na paz do nosso Senhor Jesus.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Confrontando a Teologia Gay – Parte 2.

Ministério Igreja Sem Fronteiras
Departamento de Unidade Cristã

Cremos que a Lei foi escrita, de forma a servir de padrão de convivência, em virtude da dureza do coração do homem, e por estar vivendo no período de homem caído.
O Senhor trocou nosso coração de pedra por outro de carne e nos deu um novo mandamento: amai-vos uns aos outros.
Andando em amor, em espírito e em verdade, cumpriremos todos os outros mandamentos.
Pena que, até esse novo mandamento, tenha suscitado versões do tipo: Amai-vos uns aos outros. Não importa como. Vale tudo!

Segue abaixo o texto de Marcelo Lemos, do site Olhar Reformado, "Confrontando a Teologia Gay" - Parte 2:

Por Marcelo Lemos

Parte Dois

Temos a intenção de analisar os “fundamentos da teologia gay”, conforme anunciamos no primeiro artigo desta série. E nosso alvo hoje é um argumento muito comum, e popular até mesmo entre os cristãos que condenam o ato homossexual. Refiro-me a tese de que a Lei de Deus teria sido abolida por Cristo. É comum em debates sobre o assunto, e acontece de um cristão citar, por exemplo, “com varão não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é” (Levítico 18.22), que se ouça a clássica objeção: “Isso é Levítico. Isso faz parte da Antiga Aliança. Hoje nos estamos na Era da Graça, e a Lei foi abolida por Cristo”. 

As Leis de Levítico foram abolidas?

É interessante como boa parte dos cristãos de nosso tempo consegue ser contraditória, e negar a própria fé sem se dar conta. Uma incapacidade de discernimento assustadora, que parece refletir o descaso de décadas para com o estudo sistemático e expositivo das Escrituras, além dos estudos teológicos mais elevados. Adotamos o pragmatismo e, consequentemente, sua inevitável superficialidade. A Bíblia tem autoridade sobre a Igreja, ou apenas uma parte da Bíblia tem autoridade? Não deixa de ser interessante que a resposta a esta pergunta seja encontrada no Novo Testamento.   

“Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra” (II Timóteo 3. 16-17).

Observe que Paulo está se referindo primeiramente as Escrituras Hebraicas, ou seja, o Antigo Testamento. Sabemos disso, pois até então o Novo Testamento ainda estava sendo redigido, e Paulo diz que Timóteo já conhecia as Escrituras inspiradas desde a muito, “deste a infância sabes as sagradas letras” (v.15). Assim, todo o Antigo Testamento é não apenas inspirado, como autoritativo para o cristão, “proveitosa para ensinar, repreender, corrigir, instruir em justiça, para que o homem Deus seja perfeito”.

Mas, se isso é assim, o que exclui Levítico, e outras porções da Lei de Deus, da categoria de autoridade sobre a Igreja de Cristo? A alegada explicação é que tendo Cristo abolido a Lei, o que é Lei deixou de valer sob a Nova Aliança. Essa mentalidade explica o motivo de muitos cristãos passarem anos e décadas sentados num banco de Igreja sem jamais ouvirem um único sermão baseado em Levítico, ou que passados décadas de vida cristã, jamais se tenham debruçado para aprender a vontade de Deus ali – no máximo Levítico é tido como uma peça de Museu, ou um animal exótico sobre o qual nos detemos para satisfazer alguma curiosidade. De certa forma, um interesse que não difere muito do interesse de um estudioso secular debruçado sobre o Livro dos Mortos, dos egípcios. Mera curiosidade intelectual.

Ainda que você não defenda a “teologia gay”, blasfema contra a Lei de Deus se está enquadrado no que descrevemos acima. E temos blasfemado contra a Lei de Deus na teoria e na prática. Na teoria quando apontamos a Lei de Deus como algo inferior, ultrapassado, antiquado e abolido. Na prática quando nos permitimos guiar por preceitos éticos não bíblicos. A adesão a ideia de uma Estado “laico” é um exemplo. Essa negligencia cotidiana da Lei de Deus, claro, nasce de uma teoria errada. 

“Mas não é certo que Cristo aboliu a Lei de Deus?” – alguém pode estar se perguntando. Não, isso não é verdade. Se você pretende encontrar um padrão moral mais leve que a Ética da Lei de Deus, fique certo que o Cristianismo não é o que você procura. Ao contrário do que muitos possam pensar o objetivo do Evangelho nunca foi afrouxar as exigências morais que Deus fez aos homens. Tal suposição é negada pelo próprio Novo Testamento, em vários lugares.

“Anulamos, pois, a Lei pela fé? De modo nenhum! Antes, estabelecemos a Lei!” (Romanos 3.31).

“Não penseis que vim destruir a Lei e os Profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da Lei um só ‘i’ ou um só ‘til’, até que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no Reino dos Céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos Céus. Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo algum entrareis no Reino dos Céus” (S. Mateus 5.17-20).
Esta ultima porção das Escrituras é especialmente alvo de interpretações equivocadas. Muitos interpretam esta passagem como que invalidasse a Lei de Deus revelada no Antigo Testamento.

“Jesus veio cumprir os mandamentos (Leis, preceitos, ordenanças, estatutos, decretos, conselhos) do Pai ao quais nunca, nenhum homem, foi capaz de guardar. Uma vez tendo cumprido estes mandamentos Jesus foi feito Senhor e Cristo, glória eterna lhe foi dada e foi entronizado tendo-lhe sido concedida pelo Pai a prerrogativa de governar os seus não segundo os mandamentos já cumpridos, mas segundo novo(s) mandamento(s)... “ –“A Lei de Cristo”; Dalton Gerth, professor Universidade Anhanguera, publicado no site do CACP.

“Vejam bem, Jesus afirma que não veio para abolir a lei, mas cumpri-la, e novamente diz que: não irá cair nem um só "i" ou "til" da Torah >>> ATÉ QUE TUDO SEJA CUMPRIDO” - “A Lei e o Sábado”; Autor desconhecido, publicado no site do CACP.

“Mas Deus enviou Seu Filho Jesus, perfeito e nascido sem a mácula do pecado, para que a lei finalmente pudesse ser cumprida com perfeição. Resumindo: Jesus veio para cumprir a lei e não para colocar sobre nós o pesado fardo de cumpri-la, como muitos interpretam. Jesus disse: “O meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mateus 11.30)” - “Jesus Cristo versus a Lei”; Autor desconhecido, publicado no site do CACP.

Observem que há uma linha comum no pensamento dos autores acima citados, e que é aceito e reproduzido todos os dias a nossa volta. Eles dizem que Cristo não veio destruir a Lei, mais isso só até que ela fosse cumprida por Ele na Cruz. Em outras palavras, a interpretação de muitos é que uma vez ter sido “cumprida” na Cruz, a Lei de Deus deixou de ter valor para o viver cristão.  Mas se “cumprir” significa o que estão dizendo, todo o resto de S. Mateus 5 teve aplicação apenas até a Cruz. Se é assim, o Cristianismo não tem nenhuma Lei moral para seguir.

Observe que depois de argumentar que a justiça dos seus discípulos deveria “exceder a dos escribas e fariseus” – ou seja, deviam ser mais fiéis que estes na obediência aos Mandamentos -, Jesus passa a expandir a aplicação dos preceitos morais (Mandamentos) já conhecidos. Então Ele diz que matar e odiar são igualmente pecaminosos, e adulterar e cobiçar também. Ou seja, os cristãos precisar “exceder a justiça dos escribas e fariseus”. Todavia, se “até que tudo seja cumprido” quer significar a abolição da Lei de Deus no Calvário, os versículos subsequentes jamais deveriam ser aplicados à Igreja. E se “abolida” implica em perder validade na Cruz, neste caso, odiar o próximo ou cobiçar sua mulher deixou de ser pecado na Cruz (!), e o Cristão não tem mais qualquer preceito moral para reger sua conduta – pois tanto o Antigo Testamento quanto o Sermão da Montanha foram abolidos no Calvário.

 “No Antigo Testamento, a aliança de Deus com o povo de Israel dependia do cumprimento da lei mosaica, que compõem os cinco primeiros livros da Bíblia chamado Pentateuco , e que posteriormente foi compilado pelo filósofo judeu Maimônides em seiscentos e treze mandamentos. Hoje, como cristãos, vivemos na Nova Aliança ou tempo da graça e não estamos sujeitos a estas proibições da lei de Moisés...”. Se isso é assim, não estamos mais obrigados ao padrão Moral da Lei, incluindo a condenação da prática homossexual. O argumento pode ser facilmente encontrado naqueles com postura pró-homossexual, como é o caso da Igreja Cristã Contemporânea, de onde a citação foi extraída.

Observe, contudo, que o pressuposto que dá “fundamento” a causa pró-homossexual nasceu no seio da Igreja cristã evangélica, que afirma justamente a mesma coisa. Ainda que a maioria esmagadora dos evangélicos não sejam pró-homossexualismo, essa mesma maioria irá dizer que “vivemos na Nova Alicança, ou tempo da Graça, e não estamos sujeitos a estas proibições da Lei de Moisés”. “ O Senhor Jesus, já cumpriu a Lei (Mt. 5:17). O Concílio de Jerusalém determinou que os cristãos nada tem com a Lei: At. 15:10-11; 20,29” (no site Palavra da Verdade, do pastor Airton Evangelista da Costa, Assembléia de Deus).

Agora, não importa até quais consequências lógicas se pretenda levar o argumento, o pressuposto de que Cristo aboliu a Lei de Deus, desobrigando-nos dela, é completamente falso. Os teólogos pró-homossexualismo e aqueles que pensam como o Pr. Airton, estão igualmente equivocados, ainda que não cheguem ao mesmo lugar em suas conclusões.

Não me interpretem erroneamente. Não há no Cristianismo lugar para o legalismo religioso, ideia de que a salvação seja adquira por esforços pessoais – ou seja, que a obediência a leis e preceitos possa salvar o homem. O homem jamais foi salvo pela Lei, mas desde o Antigo Testamento o homem é salvo pela fé em Jesus, o Messias: “Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia; viu-o, e alegrou-se” (S. João 8.56). Não estamos falando de buscar a salvação por meio da Lei de Deus. Estamos dizendo, em consonância as Escrituras, que a Lei de Deus é o padrão moral que obriga todo homem.

Se não fosse assim, Paulo, grande defensor da Graça de Deus, não teria apelado a Lei de Deus em sua própria defesa diante do Sinédrio. Na ocasião, Paulo reage com certa rudeza contra Ananias, o Sumo Sacerdote, o qual havia ordenado que alguém lhe esmurrasse a face: “Deus te ferirá a ti, parede branqueada; tu que estás ai sentado para julgar-me segundo a Lei, e contra a Lei mandas que eu seja ferido?” (Atos 23.1-3). Paulo argumenta em favor da Lei, dizendo a Ananias que o mesmo não podia lhe agredir, pois isso era contrário a Lei! E isso não é tudo, como Paulo fala rudemente, chamando Ananias de “parede branqueada”, alguém lhe diz: “Injurias o Sumo Sacerdote de Deus?” (v.4). Ora, se a Lei de Deus foi abolida que deveria Paulo responder? Mas veja sua reação: “Eu não sabia, irmãos, que era o sumo sacerdote – porque está escrito: Não dirás mal do príncipe do teu povo” (v.5). Paulo se desculpa, afirmando que não sabia que Ananias era Sumo Sacerdote. Ele acabara de violar um preceito da Lei, e se arrepende publicamente do seu pecado.

E Paulo jamais abandona a ideia de que a Lei de Deus é padrão moral para a Igreja. Em I Coríntios 9, na seção onde argumenta a favor do sustento devido aos ministros da Igreja, ele novamente apela a autoridade da Lei. “Quem jamais vai à guerra a sua própria custa? Quem planta uma vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta um rebanho e não se alimenta do leite do rebanho? Porventura digo eu isto como homem? Ou não diz a Lei também o mesmo? Pois na Lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca do boi quando debulha. Porventura Deus está cuidando dos bois? Ou não o diz certamente por nós? Com efeito, é por amor de nós que está escrito; porque o que lavra deve debulhar com esperança de participar do fruto” (vv. 7-10).

E podemos seguir citando outros exemplos: “As mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas que estejam submissas como também ordena a Lei” (I Coríntios 14.34). “É esta a terceira vez que vou ter convosco. Por boca de duas ou três testemunhas será confirmada toda palavra” (II Coríntios 13.1; compare com Nm. 35.30; Dt. 17.6; I Rs. 21.10; Mt. 18.16 e Jo. 8.17,18). Atitude igual para com a Lei tem Tiago, irmão do Senhor: “Mas se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo por isso, condenados pela Lei como transgressores. Pois qualquer que guardar toda a Lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos. Porque o mesmo que disse: ‘Não adulterarás!’, também disse: ‘Não matarás!’. Ora, se não cometes adultério, mas é homicida, te hás tornado transgressor da Lei” (Tiago 2.9-11).
Citaremos novamente algo publicado no site do Pastor Airton Evangelista da Costa. Agora iremos nos deparar com uma objeção que também é comum, e muitas vezes convence a tantos devido a falta de entendimento dos termos envolvidos. “Observar a Lei é um Desvio Doutrinário: O Apóstolo Paulo chamou a Lei de Ministério da morte gravado em Pedras (2 Co. 3:7 ), ministério da condenação (2 Co. 3:9) e transitório (2 Co 3:13) o Antigo Testamento já foi abolido por Cristo (2 Co. 3:14)”.

Realmente, em I Coríntios 3.7 Paulo fala de “ministério da Morte” e mais adiante, “ministério da condenação” (v.9), “transitório” (v.13)  e “abolido” por Cristo (v.14). Contudo Paulo não pode estar falando que a Lei de Deus, o padrão moral divino, foi abolida por Cristo, já que ele mesmo, como vimos, faz uso dela e a estabelece como norma ética para a Igreja. Tanto não pode estar falando disso como, de fato, não o faz. O que Paulo contrasta aqui é “Antigo Pacto” e “Novo Pacto”. De fato, estamos sob um Novo Pacto, o que não significa que deixamos de ser julgados pelo padrão moral de Deus, a Sua Lei.

Qual a diferença? Na Antiga Aliança, especialmente em Levítico, Deus proveu alguns meios temporários para realizar a Expiação pelos pecados; a saber, o derramamento de sangue de animais e aves. Era uma Expiação imperfeita, por temporária, e a cada pecado um novo sacrifício era exigido, e mesmo não se lembrando de pecado consciente, mesmo assim se devia sacrificar, como que por garantia. Na Nova Aliança isso não é mais exigido. Contudo, a não exigência não implica que a exigência de Deus tenha mudado. O meio de alcançar a Expiação mudou, mas não a exigência. Afirmar o contrário seria contradizer o fundamento do próprio Evangelho: “E quase todas as coisas, segundo a Lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão” (Hebreus 9.22). Isso é tão válido na Nova Aliança quando antes. A diferença é que Cristo cumpriu tal exigência pelo seu povo em sua Morte Expiatória. É falso dizer que hoje Deus não exige mais derramamento de Sangue – o fato é que, em favor do seu povo, Ele se satisfez com o sangue derramado por Seu Filho: “Mas Cristo, tendo vindo como Sumo Sacerdote dos bens já realizados, por meio do maior e mais perfeito tabernáculo (não feito por mãos, isto é, não desta criação), e não pelo sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no Santo Lugar, havendo obtido uma eterna redenção... Pois Cristo não entrou num Santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus” (Hebreus 9.11,12, 24).

Por isso os atos cerimoniais da Antiga Aliança se tornaram obsoletos e desnecessários. Não mais derramamos nosso sangue na circuncisão para selar nossa entrada na Nação Eleita; agora selamos nosso Pacto por meio do Batismo. Não mais derramamos sangue de aves e animais para celebrar nossa Salvação, como na Pascoa do Antigo Pacto; agora, sendo Cristo mesmo a nossa Páscoa (I Coríntios 5.7), nos alimentamos do Vinho e do Pão, na Mesa do Senhor, sinal verdadeiro de seu Corpo e Sangue. No que isso afeta a validade da Lei de Deus e seus preceitos morais? Em nada, absolutamente!

Ah, posso escutar você objetar? “Ei, se estamos obrigados a Lei de Deus, você está ensinando uma salvação por obras!”. Essa objeção, pois mais comum que possa ser nos dias de hoje, não faz o menor sentido, haja vista que nunca existiu salvação por obras. Ora, quem levanta tal objeção deve admitir que pelo menos na Antiga Aliança os homens estavam obrigados a Lei de Deus. Será que defendem a ideia de que os antigos foram salvos por obras, e não por Cristo? Mas, se nunca ouve salvação por obras, então não procede que estar obrigado a Lei de Deus implique em rejeitar a Graça como meio de alcançar a justificação.

Somos justificados exatamente por não sermos capazes de cumprir de modo absoluto as exigências Morais de Deus, e não porque Cristo destruiu tais exigências. Neste caso não teríamos sido “justificados” e sim “desobrigados”. Ser declarado justo não tem haver com a Lei de Deus perder seu valor, mas que a Graça nos livre da culpa de sermos incapazes de ser perfeito como o Pai é perfeito. Haverá alguém capaz de cumprir este mandamento de Jesus? “Se vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso pai, que está nos céus!” (S. Mateus 5.48). Como não podemos cumprir a exigência de Deus, nosso único meio para a salvação é Cristo, e sua Graça.  

Observe-se, portanto, como temos sido negligentes para com Cristo, e contrários ao próprio Espírito do Evangelho. Olhe a Igreja a sua volta. Adotamos valores morais e éticos oriundos de diversas fontes, enquanto seguimos negligenciando aquilo que foi dado pelo próprio Deus. Temos alto apreço por documentos como Declaração Universal dos Direitos Humanos, ou pela Carta da Terra, todos redigidos por homens pecadores, e não poucas vezes Inimigos da Cruz, mas seguimos deixando Levítico, e quase tudo mais na Lei de Deus, em nosso Mural de Antiguidades!

O que aqueles que rejeitam a Lei de Deus deveriam fazer é dar as mãos a “Teologia Gay”, e assumi-la como filha legitima de sua própria blasfêmia. Deveriam assumir a consequência de ensinarem ter sido a Lei de Deus banida da nossa bússola moral. Deviam ir além, e rejeitar a inspiração do Novo Testamento, já que Cristo e os apóstolos frequentemente valem-se da Lei para ensinar a Igreja do Novo Testamento.

As Leis de Levítico foram abolidas? Não, meu amigo teólogo “gay”. Não, meu amigo teólogo “evangélico modernista”.  “Se Deus é um só” – responde Paulo, “que justifica, pela fé, a circuncisão e, por meio da fé, a incircuncisão, anulamos, pois, a Lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a Lei” (Romanos 3.30,32).

Próximo artigo da série: É a Bíblia silente quanto a homoafetividade?

Tramitação do PLC 122/2006.

Ministério Igreja Sem Fronteiras
Departamento de Unidade Cristã
Grupo de Acompanhamento de Atividades Parlamentares

Segue abaixo a última tramitação do PLC 122/2006:

07/06/2011 
CDH - Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa

Situação: AUDIÊNCIA PÚBLICA
Ação: Recebido na CDH.
A matéria continua sobrestada, aguardando a realização de Audiência Pública (Requerimento nº 69-CDH, DE 2011).

07/06/2011 
ATA-PLEN - SUBSECRETARIA DE ATA - PLENÁRIO

Ação: A Presidência recebeu o manifesto "Em defesa da liberdade de expressão, religiosa e institucional, da livre manifestação do pensamento e contra a aprovação do Projeto de Lei da Câmara nº 122/2006", em audiência realizada no dia 1º de junho.
Nos termos do art. 263 do Regimento Interno, o manifesto será autuado como processo especial e acompanhará o Projeto de Lei da Câmara nº 122, de 2006, que se encontra tramitando na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa.
À CDH, nos termos do art. 263, do RISF.


Veja a íntegra do Manifesto (Fonte: http://www.abiee.org.br/)

 

Manifesto em favor da liberdade de consciência e de expressão

Tendo em vista a tramitação no Senado Federal do Projeto de Lei da Câmara nº 122/2006 (Projeto de Lei nº 5003/2001), que criminaliza toda e qualquer manifestação contrária à orientação sexual da homossexualidade,

Entendemos que:
·         vivemos numa sociedade multicultural e plural em que a liberdade é um dos principais pilares de sustentação;
·         a liberdade só é possível se houver a concretização da liberdade de consciência e de expressão;
·         a liberdade de consciência tem a ver com o que cada indivíduo crê interiormente, enquanto que a liberdade de expressão é a manifestação externa dessas crenças;
·         o Artigo 5º da Constituição, em seu caput, afirma que todos são iguais perante a lei, sem distinção de quaisquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade;
·         neste mesmo artigo, ao tratar dos direitos e garantias fundamentais, a mesma Constituição afirma que (IV) é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; e que (VI) é inviolável a liberdade de consciência e de crença ...
·         a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 expressa em seu Artigo 18 que todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião ... e no Artigo 19 que toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras;
·         se todos são iguais, todos, sem distinção, podem expressar privada e publicamente suas ideias, pensamentos e crenças, declarando o que acreditam e os motivos pelos quais acreditam de determinada forma e não de outra, desde que os direitos dos outros sejam respeitados;
·         não deve haver discriminação contra qualquer pessoa e suas escolhas individuais;
·         o próprio texto do projeto original do PLC 122/2006 (nº 5.003/2001) salienta que a orientação sexual é direito personalíssimo, atributo inerente e inegável à pessoa humana ... Trata-se de respeitar as diferenças e assegurar a todos o direito de cidadania ... Nossa principal função como parlamentares é assegurar direitos, independente de nossas escolhas ou valores pessoais. Temos que discutir e assegurar direitos humanos sem hierarquizá-los. [grifo nosso]

Neste sentido, declaramos que:

·         o referido Projeto de Lei da Câmara 122/2006, ao tornar crime manifestações contrárias à homossexualidade, incita à discriminação ao promover a censura da consciência e da expressão, promove a violência defendendo a liberdade para uns e suprimindo a liberdade para outros, desprezando o que é conhecido no Direito como “princípio do contraditório e da ampla defesa” [audiatur et altera pars - “ouça-se também a outra parte”] que é a liberdade de análise e posicionamento contrário às expressões ou manifestações de outras pessoas em qualquer área da vida;
·         na democracia a liberdade que se expressa por intermédio dos valores individuais e mesmo de segmentos da sociedade não pode privilegiar o direito de liberdade de consciência e de expressão de uns em detrimento ao direito de outros;
·         não é possível concordar com qualquer lei que maximize direitos a um determinado grupo de cidadãos e, ao mesmo tempo, minimize, atrofie e faleça direitos e princípios já determinados principalmente pela Carta Magna da Nação e pela Declaração Universal de Direitos Humanos.

Sendo assim,

manifestamos nossa posição contrária a qualquer forma de violência e discriminação contra o ser humano, afirmando, por um lado, o respeito devido a todas as pessoas independentemente de suas escolhas sexuais, e, por outro, afirmando o direito da livre consciência e expressão de cada pessoa;
conclamamos os representantes do povo no Congresso Nacional que se posicionem a favor da ampla liberdade de consciência e expressão de todos, sem distinção e discriminação, rejeitando qualquer dispositivo que promova a censura e amordacem a liberdade e o direito individual de consciência e livre expressão; e,
conclamamos as demais instâncias da República, cidadãos e líderes de instituições sociais, que se unam em defender o respeito à pessoa e a garantia dos direitos individuais, preservando a liberdade de consciência e de expressão de cada um e de todos, sem que se privilegie qualquer segmento de nossa sociedade, o que ameaça a democracia, patrimônio de todos.

ABIEE - Associação Brasileira de Instituições Educacionais Evangélicas – www.abiee.org.br
Presidente: Carlos Hassel Mendes
ABLIRC - Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania 
Presidente: Samuel Gomes Luz
ACSI - Associação Internacional de Escolas Cristãs
Presidente: Mauro Fernando Meister
A.E.E – Associação Educativa Evangélica
Presidente: Ernei de Oliveira Pina
AECEP- Associação das Escolas Cristãs de Educação por Princípios
Diretora: Adriana Helena Dias da Silva
ANEB- Associação Nacional de Escolas Batistas
Presidente: Valseni Pereira Braga
ANEP- Associação Nacional de Escolas Presbiterianas
Presidente: Didimo de Freitas
COGEIME- Conselho Geral das Instituições Metodistas de Ensino
Presidente: Paulo Roberto de Lima Bruhn
Diretor Superintendente: Márcio de Moraes

Igrejas:
Convenção das Igrejas Evangélicas Holiness do Brasil
Presidente da Diretoria: Pr. Luiz Takeshi Hashimoto
Igreja Anglicana, da Diocese de Recife
Dom Robinson Cavalcanti
Igrejas Batistas
Convenção Batista Brasileira
Presidente: Pr. Paschoal Piragine Júnior
Diretor Executivo: Pr. Sócrates Oliveira de Souza
Igreja do Exército de Salvação
Comissário Oscar Percy Sánchez Mc Clinton
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Presidente da Igreja: Pr. Egon Koperek
Igreja Metodista
Presidente do Colégio Episcopal: Bispo João Carlos Lopes
Igreja Metodista Livre
Presidente da Igreja: Bispo José Ildo Mello
Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil
Presidente da Assembléia Geral: Pr. Clodoaldo de Souza Caldas
Igreja Presbiteriana do Brasil
Presidente: Rev. Roberto Brasileiro Silva
Igreja Presbiteriana Independente do Brasil
Presidente da Igreja: Rev. Áureo Rodrigues de Oliveira

Igreja Adventista do Sétimo Dia
Divisão Sul Americana
Presidente: Pr. Erton C. Köhler
 União Central Brasileira
Presidente: Pr. Domingos José de Souza
 União Centro-Oeste Brasileira
Presidente: Pr. Helder Roger Cavalcanti
 União Este Brasileira
Presidente: Pr. Maurício Pinto Lima
 União Nordeste Brasileira
Presidente: Pr. Geovani Souto de Queiroz
 União Noroeste Brasileira
Presidente: Pr. Gilmar Zahn
 União Norte Brasileira
Presidente: Pr. Leonino Barbosa Santiago 
 União Sul Brasileira
Presidente: Pr. Marlington Souza Lopes